Gestão e coordenação de projetos: por que a integração é essencial em edifícios complexos
Um edifício complexo não é resultado de um único projeto.
Arquitetura, estrutura, instalações, sistemas, equipamentos, normas, legislação e necessidades da operação precisam ser considerados simultaneamente para que o empreendimento funcione como um todo.
Cada disciplina possui seus próprios requisitos, critérios e responsabilidades. O desafio está em integrar todas essas informações e decisões para que sejam compatíveis entre si e coerentes com as necessidades do cliente e da operação.
É nesse ponto que a gestão e a coordenação de projetos assumem um papel fundamental.
Um projeto complexo reúne muitas informações
Quanto mais complexa é uma edificação, maior tende a ser a quantidade de informações que precisa ser considerada ao longo do desenvolvimento do projeto.
Além das necessidades definidas pelo cliente e pela operação, podem existir requisitos relacionados a:
- legislação urbanística e edilícia;
- normas técnicas;
- resoluções e requisitos da Vigilância Sanitária;
- Instruções Técnicas de segurança contra incêndio;
- normas e requisitos de acessibilidade;
- requisitos ambientais, quando aplicáveis;
- sistemas estruturais;
- instalações elétricas e hidráulicas;
- climatização;
- gases e sistemas especiais;
- tecnologia e comunicação;
- equipamentos;
- segurança;
- orçamento e disponibilidade financeira do empreendimento;
- cronograma e metas de prazo;
- manutenção e operação do estabelecimento após a obra.
Essas informações não existem de forma independente.
Uma decisão tomada em uma disciplina pode gerar consequências em várias outras.
Por isso, desenvolver cada projeto isoladamente e tentar juntar tudo apenas no final aumenta o risco de incompatibilidades, retrabalho e decisões que poderiam ter sido evitadas.
Cada disciplina precisa funcionar — e funcionar junto
Um projeto estrutural pode estar tecnicamente correto.
As instalações elétricas também.
A climatização pode estar corretamente dimensionada.
A arquitetura pode atender ao programa definido.
Ainda assim, o conjunto pode não funcionar adequadamente.
Uma viga pode interferir em uma passagem de dutos. Um equipamento pode exigir uma infraestrutura que não foi prevista. Uma casa de máquinas pode ocupar uma área necessária para outra função. Uma exigência normativa ou uma mudança de estratégia em uma etapa inadequada do projeto pode alterar um ambiente ou setor, gerar impactos em outras disciplinas e até mesmo inviabilizar uma implantação.
O problema não está necessariamente em uma disciplina estar errada. Está na falta de integração entre elas e no momento em que essa integração acontece.
Em edifícios complexos, a qualidade do projeto depende tanto da qualidade de cada disciplina quanto da forma como elas se relacionam.
Coordenação de projetos é mais do que compatibilizar desenhos
É comum associar coordenação de projetos apenas à identificação de interferências entre desenhos.
A compatibilização é importante, mas a coordenação precisa acontecer antes disso.
É necessário organizar informações, estabelecer premissas, compreender as necessidades de cada disciplina, definir interfaces e acompanhar as decisões que podem gerar impactos sobre outras áreas.
A coordenação também precisa garantir que as informações utilizadas pelos diferentes projetistas sejam coerentes e estejam atualizadas.
Quando uma decisão muda, seus impactos precisam ser avaliados.
Quando uma exigência nova aparece, é necessário identificar quais partes do projeto serão afetadas.
Quando uma solução é alterada, as demais disciplinas precisam ser envolvidas no momento adequado.
Coordenar é fazer com que as diferentes partes do projeto evoluam de forma articulada.
Normas e requisitos não podem ser analisados isoladamente
Em projetos complexos, atender às normas não significa apenas conferir uma lista de exigências ao final do processo.
Os requisitos normativos podem influenciar diretamente as decisões de projeto desde as primeiras etapas.
Uma exigência de acessibilidade pode interferir em circulações e dimensões.
Uma exigência de segurança contra incêndio pode influenciar acessos, compartimentações e rotas de fuga.
Uma exigência sanitária pode modificar ambientes, fluxos e instalações.
Requisitos ambientais, urbanísticos ou relacionados à operação também podem alterar soluções inicialmente imaginadas.
Por isso, as normas precisam fazer parte do processo de desenvolvimento do projeto, e não apenas da sua conferência final.
O mesmo vale para os requisitos definidos pelo próprio empreendimento.
O cliente também traz informações que precisam ser coordenadas
Um projeto não é desenvolvido apenas a partir das normas.
O cliente possui necessidades específicas, assim como os usuários e a operação do edifício.
Quais atividades serão realizadas?
Qual será a capacidade de atendimento?
Quais equipamentos serão utilizados?
Como os espaços serão ocupados?
Quais são as prioridades do empreendimento?
Existe previsão de expansão?
Quais são as restrições de orçamento e prazo?
Essas informações precisam ser transformadas em requisitos de projeto e compartilhadas com as diferentes disciplinas.
Quanto melhor essas premissas forem compreendidas e organizadas no início, menor tende a ser a necessidade de alterações decorrentes de informações descobertas apenas durante o desenvolvimento.
Gestão significa antecipar conflitos
Uma das principais funções da gestão e coordenação é justamente identificar problemas antes que eles se tornem problemas na obra.
Uma interferência encontrada durante o projeto pode ser resolvida com uma decisão técnica.
A mesma interferência descoberta durante a execução pode significar demolição, retrabalho, atraso, custo adicional e impacto sobre outras etapas da obra.
Por isso, o tempo dedicado ao planejamento e à coordenação não deve ser visto apenas como uma etapa adicional.
Ele é uma forma de reduzir riscos.
Quanto mais cedo um conflito é identificado, maior é a possibilidade de solucioná-lo com menor impacto.
O projeto também precisa conversar com custo e prazo
As decisões de projeto não acontecem em um ambiente separado da realidade do empreendimento.
Uma solução pode ser tecnicamente excelente, mas inviável diante do orçamento disponível.
Uma alteração pode melhorar determinado aspecto do projeto e, ao mesmo tempo, aumentar prazo ou custo de execução.
Uma decisão aparentemente pequena pode gerar impactos em diversas disciplinas.
Por isso, a gestão precisa considerar as relações entre escopo, qualidade, custo e prazo.
Isso não significa escolher sempre a solução mais barata ou mais rápida.
Significa compreender as consequências das decisões para que o empreendimento possa fazer escolhas conscientes.
A tecnologia ajuda, mas não substitui a gestão
Ferramentas digitais, modelos tridimensionais e plataformas colaborativas podem contribuir significativamente para a coordenação de projetos.
O BIM, por exemplo, permite integrar informações das diferentes disciplinas em um modelo compartilhado, facilitando a visualização das interfaces, a identificação de determinadas incompatibilidades e, quando associado a processos e ferramentas adequados, a extração e atualização de informações relacionadas a quantitativos e orçamento.
Mas nenhuma ferramenta substitui a necessidade de análise, comunicação e tomada de decisão.
A tecnologia fornece recursos para organizar e visualizar informações.
A gestão é responsável por transformar essas informações em decisões coordenadas.
A integração precisa continuar até a obra
A coordenação não termina necessariamente quando os projetos são entregues.
Durante a execução, novas informações podem surgir, fornecedores podem apresentar alternativas, determinados materiais podem deixar de estar disponíveis e situações encontradas em campo podem exigir adaptações.
Por isso, projetos complexos precisam de um processo de gestão que permita registrar, analisar e coordenar alterações.
Quanto mais organizado for esse processo, maior a possibilidade de preservar a coerência do empreendimento mesmo diante das mudanças inevitáveis durante sua execução.
Um projeto complexo precisa ser visto como um sistema
Quando todas essas questões são consideradas em conjunto, fica mais fácil compreender por que edifícios complexos exigem uma abordagem diferente.
Não se trata apenas de produzir bons projetos de arquitetura, estrutura ou instalações.
É necessário gerenciar as relações entre todos esses elementos.
O projeto precisa ser entendido como um sistema no qual cada decisão pode gerar consequências em outras partes do empreendimento.
Essa visão permite antecipar conflitos, organizar informações, melhorar a tomada de decisão e reduzir riscos ao longo do desenvolvimento e da execução.
Integração é parte da qualidade do projeto
Na Valenza, entendemos que projetos complexos exigem mais do que a soma de boas disciplinas.
Exigem coordenação, integração e gestão das informações que conectam arquitetura, engenharia e operação.
Nosso trabalho busca organizar essas interfaces desde as etapas iniciais, considerando requisitos técnicos, normativos e operacionais para que as diferentes partes do empreendimento avancem de forma coerente.
Porque, em um edifício complexo, não basta que cada parte esteja correta. É preciso que todas funcionem juntas.
Está desenvolvendo um projeto complexo?
A Valenza atua na integração entre arquitetura, engenharia e gestão para projetos e obras que exigem coordenação, planejamento e controle.
Fale com a Valenza para conversar sobre seu empreendimento.
